A assistência robótica torna mais precisas algumas medidas radiográficas de alinhamento da prótese total de joelho. Esse ganho médio ainda não se converteu em melhora perceptível nos escores de dor ou função estudados12.
A síntese mais recente reuniu 25 ensaios randomizados, com 3.156 participantes. O robô reduziu o desvio do eixo mecânico, enquanto os questionários WOMAC, Knee Society Score e Hospital for Special Surgery permaneceram semelhantes entre as técnicas. A duração da cirurgia aumentou, em média, 22,38 minutos, com intervalo de confiança entre 12,86 e 31,91 minutos e heterogeneidade de 98%1.
O que o robô faz na cirurgia
A assistência robótica integra planejamento e navegação intraoperatória para ajudar a localizar o centro do quadril, guiar os cortes ósseos e avaliar a tensão dos tecidos. O equipamento auxilia essas etapas; a execução e os ajustes permanecem sob responsabilidade do cirurgião2.
Os ensaios misturam gerações e plataformas diferentes. Em uma revisão de 12 estudos, seis usaram ROBODOC, dois usaram NAVIO, um usou Mako e três avaliaram sistemas desenvolvidos localmente. Dez estudos vieram da Ásia e dois da Europa. Essa diversidade ajuda a explicar por que um resultado médio não descreve cada robô, hospital ou equipe2.
O alinhamento melhora, em escala pequena
A meta-análise de 2023 reuniu 12 ensaios randomizados e 2.200 pacientes. Em seis estudos, o desvio em relação ao eixo neutro foi 0,94 grau menor com assistência robótica. Em oito estudos, a razão de risco de ficar mais de três graus fora do alvo radiográfico foi 0,43, com intervalo de confiança entre 0,27 e 0,672.
O desvio ocorreu em 53 de 1.044 joelhos operados com robô e em 125 de 1.048 no grupo convencional2. A precisão adicional é mensurável, embora o tamanho médio da correção seja inferior a um grau.
Dor e função continuam parecidas
O WOMAC combina dor, rigidez e limitação física. Em seis ensaios, com 1.744 participantes, a diferença média favoreceu o robô em apenas 0,35 ponto. A própria revisão adotou 15 pontos como diferença mínima importante para o paciente. A amplitude de movimento e o Knee Society Score também não mostraram ganho clinicamente relevante2.
A revisão de 2025 chegou ao mesmo quadro para WOMAC, Knee Society Score e Hospital for Special Surgery. A síntese de 2023 estimou diferença de 0,89 ponto no Knee Society Score, com intervalo de confiança entre -0,18 e 2 pontos, abaixo da diferença mínima de seis pontos adotada pelos autores12. A revisão de 2023 não conseguiu reunir dor isolada e qualidade de vida em meta-análises por haver poucos estudos e formas distintas de apresentação2.
A diretriz da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos afirma que as abordagens robótica e convencional não apresentaram diferença significativa em função, resultados clínicos ou complicações no curto prazo. A força da opção foi classificada como limitada por restrições na evidência disponível3.
Complicações e tempo de operação
Sete ensaios, com 1.772 participantes, informaram complicações de maneiras diferentes. A revisão não fez meta-análise desses dados, e nenhum estudo informou de forma adequada as taxas de infecção periprotética, morbidade grave ou mortalidade atribuídas às intervenções. Os dados permitem falar em incerteza, e não em equivalência comprovada de segurança2.
O tempo operatório aumentou 17 minutos em média na revisão de 2023, com intervalo de confiança de 5 a 30 minutos e heterogeneidade de 99%. A síntese de 2025 estimou 22,38 minutos adicionais e também encontrou heterogeneidade elevada, de 98%12. Experiência da equipe, preparação do sistema e plataforma utilizada interferem nessa duração.
Perda de sangue não apresentou diferença clara, com estimativas imprecisas e, em algumas análises, muito heterogêneas. O tempo de internação também permaneceu semelhante, mas os dados não sustentam promessa de recuperação hospitalar mais curta12.
O longo prazo veio de uma geração anterior
O principal ensaio com seguimento prolongado randomizou 1.406 pacientes para cirurgia robótica ou convencional. Após média de 13 anos, pontuações de dor e função continuavam semelhantes. A sobrevida da prótese aos 15 anos foi de 98% nos dois grupos, e o afrouxamento sem infecção ocorreu em 2% dos joelhos de cada grupo4.
Esse resultado é tranquilizador, com limites importantes. As operações ocorreram entre 2002 e 2008, com o sistema ROBODOC, por um único cirurgião, e o estudo excluiu pessoas com mais de 65 anos. Ele informa a durabilidade de uma tecnologia anterior em uma população selecionada; sistemas atuais precisarão de seu próprio tempo de acompanhamento4.
O custo depende do serviço
No cenário-base do modelo tailandês, que supôs vida útil de 12,5 anos, a plataforma precisaria realizar pelo menos 640 próteses por ano para alcançar o limiar local de custo-efetividade. O resultado mudou bastante conforme o preço, o volume e as hipóteses de eficácia5.
O limiar e os preços tailandeses não podem ser transportados diretamente para o Brasil. Uma análise local precisaria usar custos brasileiros e resultados do serviço que pretende adotar a plataforma5.
As evidências apoiam uma colocação mais precisa dos componentes. Elas ainda não sustentam promessa de menos dor, recuperação mais fácil ou maior durabilidade4. A escolha pode considerar a experiência do cirurgião com o sistema, o desempenho do hospital, os custos e as alternativas disponíveis23.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual. A indicação de prótese de joelho e a escolha da técnica dependem do quadro clínico, dos objetivos do paciente e da avaliação do cirurgião.
